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segunda-feira, 23 de julho de 2012

Acostumar



Acostumei-me com o passar das horas,
Com as demoras,
Com a rapidez,
Com a rispidez das pessoas.

Acostumei-me com a dor,
Com o falível amor,
Com os extremos 
Entre momentos simplórios e supremos.
Com a proximidade entre tristeza e felicidade.

Acostumei-me a vários sentimentos
Sentimento de prepotência
De saudade do inexplicável
Como se houvesse uma ausência.

Acostumei-me com rotinas exaustivas
Que pensara nunca aguentar,
Ações sucessivas que transportam independente de onde queria estar.

Não acostumei-me com acostumar,
Penso com certo susto,
Momentos lúcidos poucos, 
Dentre vários de torpor.

Porém, acostumar-me é a melhor saída,
Faz doer menos a ferida,
Posso não concordar,
Mas devo a vida me acostumar.
Texto de minha autoria.



sexta-feira, 20 de julho de 2012

Ajustando o foco



Hora de mudar de foco, tirar os olhos do chão, porque estão cansados de encarar a mesma paisagem monótona.
Pensar diferente, recuperar o melhor que foi deixado para trás.
Desfocar as coisas ruins, deixar os ventos arrumarem os cabelos, ao invés de se preocupar com a arrumação dos outros.
Abrir o campo de visão para frente e para cima, para o céu azul, muito mais belo do que os buracos no chão, do que os chicletes jogados e abandonados no asfalto.
Fechar os olhos para o que fere, abrir para o que fascina, inspira e traz o melhor que se pode ter.
Encarar de maneira diferente, mudar objetivos, tirar a importância de alguns lugares e colocá-la em outros.
Valorizar o que faz sorrir, o que faz bem, tirar a relevância do que faz mal, do que machuca, já que não é possível destruí-los.
Mudanças frescas cortando rotinas que deixam a alma velha e o cérebro travado.
Enxergar por outras perspectivas, como se fosse pela primeira vez: tão puro e inocente.
Esperar que seja a garantia de mais sorrisos, mais risadas, mais simplicidade, porque o coração e a mente já estão desgastados, perdendo a vivacidade de maneira lenta e o corpo deve envelhecer, mas a mente e o coração devem permanecer sãos e jovens, cada vez mais experientes e lúcidos.
Ajustando assim o foco da câmera da vida, registrando os melhores momentos, mesmo nos piores, com as cores mais vivas e com a melhor definição e perspectiva.
Texto de minha autoria.







quinta-feira, 19 de julho de 2012

Realidade sonhada


Olhos ao longe, porque muitas vezes é mais fácil viver em um sonho, uma realidade oposta existente em outra dimensão ainda não encontrada....
É mais fácil ditar os caminhos, coordenar cada acontecimento como um diretor de cinema, do que deixar para as incertezas da vida.
Sacode-me, na tentativa de tirar-me de meu desvaneio constante, encontrar vida em meus olhos, mas é melhor viver em meus sonhos, em minhas pequenas histórias até o momento em que a vida entrar nos caminhos corretos, até conseguir acertar cada nota desta bela sinfonia ainda desconhecida.
Viver um sonho lúcido, encontrar-me por entre momentos de torpor...
Anjos bons voam, porque o céu lhes prefere, gostaria de voar como anjos bons, mas meus pés continuam firmes no chão, por isso sonho com voos impossíveis, palavras inaudíveis, sonhos que constroem lembranças, cheios de sensações, sonhos mais verdadeiros do que a realidade vazia, vazia de amor, de razão, de valores, de verdade.
Texto de minha autoria

sábado, 7 de julho de 2012

Pão e circo



Um bombardeio de informações, em poucos segundos já estão todos comentando, veiculando que o Corinthians ganhou o sei lá o quê. Futebol é o circo dos dias atuais em que o pão está cada vez mais caro, fala-se nele para abafar os escândalos fiscais de corruptos com caras de bunda, e nem precisa ser somente políticos, os jornalistas e vários outros ladrões de terno e gravata estão mergulhados nessa "Cachoeira" até o pescoço.

Atos que nos tiram a qualidade de vida e ninguém parece perceber. Sempre quis viver em um país com construções grandiosas, boa infraestrutura por todo o território, onde o campo e a natureza tem o seu lugar e são bem cuidados e as cidades são organizadas e mais brilhantes que as luzes da Time Square, em Nova York.


Infelizmente os prédios não são brilhantes, não são bonitos, são feitos de ladrilhos sem graça, pois sua construção é pensada no lucro e não na qualidade e beleza.


As ruas estão cada vez mais estreitas para tanta impunidade, mais esburacadas por cada chuva escassa que chega... 
As escolas estão vazias de alunos e cheias de vândalos, os hospitais encontram-se abarrotados de doentes, não só de doentes quaisquer e sim de pessoas a beira da morte que clamam por um segundo de atenção de um médico inexistente, que não está na profissão por amor e sim por dinheiro, não tendo piedade, nem compaixão por seus pacientes que acabam por nem serem atendidos, e sim transferidos para outro hospital, o da alma, pois o corpo de tão desgastado decidiu repousar, não por só uma noite, e sim pela eternidade, tragado pela gleba.


Desligue-se dessa televisão, largue o esporte sei lá o quê, a novela de qualquer momento, pare de viver uma vida que não é sua e mude o seu campo de visão: Se o seu time ganhar ou o mocinho ficar com a mocinha no final nada irá mudar em sua vida. 
Já essa palhaçada que fazem de desvio de dinheiro público dentre outras falcatruas te afetam diretamente, e a verdade dói, sua vida muda para pior, o seu salário diminui enquanto o deles aumentam, se quiser uma escola de qualidade deve pagar por uma, pois o governo não tem competência para utilizar o dinheiro pago em impostos para cuidar de algo que é de direito nosso.

Se estiver doente a cura não será de graça, terá de pagar também por algo particular, pois os hospitais públicos são o caminho para a morte.
Enfim, sua vida está um caos, e a culpa não é da natureza, não é do universo, é desse povo folgado, desse povo mané, inclusive você, que dá a vida por um time que te deixa na lama, que deixa de ler um bom livro para não perder o último capítulo da novela, que passa a vida em um ciclo ridículo, que a nada leva, se bem que leva, é só olhar onde você está, e como você vive, deprimente...

Levante-se do sofá, esqueça as mulheres frutas e todo esse circo feito pela mídia, pois já estamos anos a frente do império romano, mas ainda vivemos na política do pão e circo, só que o nosso circo está pegando fogo, estamos extasiados e queimados, e o pão está cada vez mais escasso e caro.

Pelo menos pense, tente mudar um pouco e fazer da sua vida menos ordinária e mais pensante e justa com você mesmo. Não se deixe fazer de palhaço nesse circo de horrores que se vê na política e em várias partes de nossa sociedade hoje, abra seus olhos para a realidade e não se sinta acomodado, tente mudá-la, para melhor, claro.


Texto de minha autoria