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sexta-feira, 9 de março de 2012

Marte


Para ler ouvindo: Natalie Walker - Mars

Eu preciso me ver mais de Marte,
Ver quão pequena sou,
Flutuar no espaço sideral,
Tal qual viajante que acerca sua cidade natal.

O oceano de um azul infinito nunca saberá meu nome,
Apesar de indivíduos, cada qual com suas particularidades,
Somos todos os mesmos. Atormentados por incertezas pálidas, por amores despedaçados e às vezes presenteados com bem-aventuranças.

Somos pontos ocultos vistos de Marte,
Vencidos por nossos medos,
Com almas assoladas por problemas tão insignificantes perante a grandeza do universo, 
Do vácuo onde não se distingue direção e sentido.

Apesar de parecer difícil,
Apesar de toda a dor,
Apesar de tudo,
A vida não deve ser resumida a isso, ela não pode ser a síntese de nossa pequenez, tem que ser algo maior, tem de ser feito dela algo melhor.
Melhor que a mesquinhez em que vivemos, algo maior que nosso ego, tão grande capaz de sufocá-lo, que ultrapasse as barreiras da individualidade.
Algo que visto de Marte não será um ponto desfocado, insignificante,
Que visto de Marte será distinto, como uma estrela majestosa.

Quero que minha vida seja algo além, além da gravidade, da insuficiência, além da humanidade...
Por isso vejo meus problemas de Marte, quando parece insuportável, vejo tudo de longe e logo percebo que o que antes me sufocava pode ser quebrado com minhas mãos, é frágil, fino como papel, pequeno agora, pois esse é o seu real tamanho perante toda a grandeza existente.
Aguardo pelo dia em que me será possível ofuscar todos os obstáculos, estreitar a linha do esmorecimento e  experimentar na Terra e em todo o universo o real júbilo da vida que pode ser visto de Marte.
Texto de minha autoria.

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